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Custo e Preço na Reforma Tributária

  • Foto do escritor: Nelson C Ribeiro
    Nelson C Ribeiro
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

A Reforma Tributária trouxe o IBS, a CBS, o conceito de não cumulatividade plena e a promessa de simplificação. Junto com essas mudanças veio a pergunta que mais escutamos: "Quanto preciso aumentar no meu preço?"

A resposta exige dividirmos o desafio em 2 etapas distintas.

Precisamos saber que a alteração de preço não ocorre de forma isolada e para precificar com mais precisão no novo cenário tributário, o ideal seria a empresa rever também sua contabilidade de custos.

Porém, muitas empresas querem saber o impacto da reforma tributária no seu negócio indo direto para a revisão de preços, pulando a revisão de custos.


PARTE 1: Revisão de CUSTOS (a causa).


Antes de definir qualquer novo preço de um mercadoria, é preciso entender o que é custo e como quantificá-lo.

Esta é a etapa técnica, pesada e de "chão de fábrica". Sem ela, qualquer decisão comercial será mero palpite.

Nesta fase, mapeiam-se os processos do início ao fim, separam-se os centros de custo e eliminam-se equívocos comuns, como confundir custos com despesas ou com impostos recuperáveis.

Todo produto ou serviço é formado por três pilares fundamentais: 


Custo Real = {MP} + {MOD} + {CIF Rateado}

 

●       Matéria-Prima (MP): 

O insumo que se transforma no produto final (ex.: tecido, farinha, componentes).

o   Exemplo: 1,3 m de tecido + 6 botões + linha + 4% de perda. Multiplica-se pela cotação atual, frete e impostos.

o   Impacto na Reforma: A aquisição de MP gerará créditos de IBS/CBS. Se o insumo não estiver corretamente mapeado na ficha técnica, o crédito tributário será perdido. 

 

●       Mão de Obra Direta (MOD): 

O tempo de quem produz diretamente (ex.: costureira, operador, padeiro).

o   Exemplo: Cronometra-se o tempo gasto por peça. Se uma costureira leva 35 minutos e o seu custo (salário + encargos + benefícios) é de R$ 21,89/hora, a MOD daquela peça será de R$ 12,78.

o   Impacto na Reforma: A MOD não gera crédito tributário. Se ela não for devidamente separada da mão de obra indireta, o rateio dos custos fixos será distorcido.

   

●       Custos Indiretos de Fabricação (CIF): 

Tudo o que sustenta a operação, mas não entra diretamente no produto (ex.: energia da fábrica, aluguel, supervisão, manutenção, depreciação de máquinas).

o   Ponto Crítico (Rateio): Definir o critério correto de rateio é crucial. Pode ser por hora-máquina (indústrias), quantidade produzida (linhas simples) ou hora de MOD (serviços).

o   Errar o critério de rateio é o motivo pelo qual empresas acreditam vender com 25% de margem quando, na realidade, estão no "zero a zero".


Roteiro da Parte 1:

1.  Separar e mapear cada etapa da operação.

2.  Abrir a "caixa-preta": diferenciar Custos de Despesas, Fixo de Variável e Direto de Indireto.

3.  Apurar o Custo Real com os créditos de IBS/CBS adequadamente abatidos.


PARTE 2: Revisão de PREÇOS (a consequência).


Com o relatório de Custo Real em mãos, a diretoria deixa de lado a ideia do "aumento automático de 10%" e passa a atuar de forma estratégica.

A partir dos números apurados na Etapa 1, a tomada de decisão foca em:

  • Mapeamento de Créditos e Carga Efetiva: 

    Identificar exatamente quais itens de MP e CIF geram crédito de IBS/CBS e calcular a nova alíquota efetiva do seu setor (considerando regimes diferenciados ou reduções).

  • Análise de Elasticidade dos produtos:

Avaliar quais produtos são sensíveis a preço e quais não são e portanto suportarão mais margens

  • Análise de Repasse: 

Definir quanto do impacto tributário o mercado absorve e quanto a empresa precisará absorver para manter sua competitividade.

  • Gestão de Mix e Portfólio:

    • O que manter: produtos que preservam margem saudável após a reforma.

    • O que eliminar: itens que só pareciam dar lucro porque a apuração de custo anterior estava incorreta.

    • O que aumentar: produtos que geram maior volume de crédito tributário e melhor margem líquida.

  • Busca por Eficiência Interna: 

Antes de repassar custos ao cliente, renegociar insumos, reduzir desperdícios e otimizar processos internos.


CONCLUSÃO:

A Reforma Tributária não deixará espaço para "precificação no olho", ela exige um amadurecimento da gestão financeira nas empresas.

  • Passo 1 (Revisão de Custos): Dá a munição — entrega o custo real e o mapeamento dos créditos tributários.

  • Passo 2 (Revisão de Preço): Transforma números em estratégia comercial.


A CR SOLUTION está preparada para conduzir sua empresa nessas duas frentes: executamos a Revisão de Custos completa e estruturamos a estratégia de Revisão de Preços sob a nova lógica do IBS e da CBS.


BOA SEMANA !

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